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Quando o assunto é investimento, a grama do vizinho sempre será mais verde

Quando o assunto é investimento, a grama do vizinho sempre será mais verde
(Shutterstock)

Investidores precisam entender que desapegar do viés de casa é uma necessidade na hora de proteger o patrimônio e conseguir mais rentabilidade

No dinâmico mundo das finanças e em meio as decisões que temos que tomar diariamente envolvendo nossos recursos financeiros é bastante comum cometermos alguns erros que prejudicam a eficiência do nosso portfólio de investimentos. Esses erros não ficam apenas no âmbito da matemática financeira, da análise fundamentalista ou técnica dos ativos, na observação do mercado e seus indicadores, mas sim em questões comportamentais e psicológicas dos investidores antes da tomada de decisão. O campo das finanças comportamentais ficou muito em evidência a partir do início deste século em função do prêmio Nobel de economia concedido ao Dr. Daniel Kahneman que se dedicou a entender melhor como as nossas reações, que fazem parte da natureza dos seres humanos, se misturam nas decisões antes de se investir.

Existe uma tendência muito forte das pessoas investirem naquilo que elas conhecem, que tem mais familiaridade. Gaúchos provavelmente se sentem bem confortáveis em possuir em sua carteira companhias do Rio Grande do Sul, como Banrisul ou Gerdau por exemplo, porque trabalham ou já trabalharam, ou porque ouvem falar recorrentemente ou ainda por simplesmente passarem na frente da sede todos os dias. Os investidores brasileiros, em geral, costumam concentrar os seus investimentos em mercados conhecidos e é esse comportamento que gostaria de trazer hoje a vocês leitores, o chamado viés de casa (Home Country Bias).

Veja abaixo o gráfico que mostra onde os investidores de alguns dos principais países do mundo alocam seus patrimônios:

Quase a totalidade da população de países subdesenvolvidos como é caso da Índia, Turquia, México, Rússia investem o dinheiro em ativos domésticos, ou seja, alocam 100% do patrimônio em ativos do próprio pais. O Brasil vem logo em seguida com aproximadamente 95% do patrimônio das pessoas sendo alocados em ativos financeiros brasileiros. Por outro lado, se analisarmos a parte final do gráfico, notamos um comportamento completamente diferente. Mesmo as pessoas vivendo em países bastante desenvolvidos, onde algumas das melhores empresas estão instaladas e consequentemente há muitas oportunidades de investimentos, elas ainda assim optam por diversificar globalmente quando se trata de alocação do patrimônio. Na Holanda, Canadá, Alemanha e Bélgica por exemplo, menos de 25% dos recursos das famílias são investidos em ativos locais. Americanos e Japoneses investem só 75% do dinheiro domesticamente, o restante está diversificado fora.

Como ilustrado no gráfico abaixo, o Brasil representa só 2,39% da economia mundial. É muita inocência acharmos que os melhores investimentos estão aqui, dentro desse percentual irrisório do PIB mundial. E os outros 97,61% do mercado? Não há nenhum investimento melhor no restante do mundo? É obvio que há.

Os EUA (24,3%) ainda continuam sendo, de longe, a maior economia do mundo gerando quase um quarto do PIB Mundial e estão quase 10 pontos percentuais à frente do segundo colocado, a China (14,8%). A economia norte americana equivale em tamanho ao PIB (Produto Interno Bruto) de Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Índia, Itália, Brasil e Canadá somados. O Brasil, considerado o gigante econômico da América do Sul, tem menos de um décimo do tamanho do PIB dos Estados Unidos. Realmente estamos engatinhando perto do mundo. E aí eu me pergunto: Quantos brasileiros tiveram a oportunidade de surfar a onda das empresas americanas de tecnologia como Google, Facebook, Amazon, Microsoft, Netflix entre outras? Quantos possuem em carteira empresas como Coca-Cola, P&G ou Colgate que pagam dividendos ininterruptamente a mais de 50 anos? Muito, mas muito poucos com certeza.

Não dá para acharmos que a nossa carteira de investimentos é eficiente tendo uma concentração em Brasil, sendo composta por apenas ativos brasileiros e de instituições brasileiras. O mercado aqui é limitado. A real eficiência é obtida quando temos uma parte do nosso patrimônio fora. Diversifique globalmente alocando no mínimo 20% do seu patrimônio em economias mais fortes. O leque de opções de investimentos no exterior é enorme e atende qualquer perfil de cliente, do mais conservador até o mais agressivo. Sem dúvida o caminho é ter uma conta de investimentos no exterior e poder acessar o mundo de oportunidades que aparecem a todo momento.

Minha jornada junto ao portal Finnews só está no começo. Continue acompanhando que surgirão mais assuntos, oportunidades e curiosidades sobre investimentos por aqui. Por favor, fique à vontade para deixar seu comentário aqui embaixo ou ainda indique essa leitura aos seus amigos e familiares ou a quem interessar.

 

Sérgio Ferreirinha – CFP®

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Foto de perfil de Sérgio Ferreirinha - CFP®
Profissional experiente e habilitado em prestar consultoria nos investimentos onshore, offshore, risco, seguros, previdência, tributação, sucessão e ética. Conquistou as certificações CFP®, CPA-20 e PQO profissional da BM&FBovespa (B3).

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