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Eleições na França e Alemanha podem deixar UE mais forte do que nunca

Eleições na França e Alemanha podem deixar UE mais forte do que nunca
(Shutterstock)

Crescimento de candidatos pró-UE tem elevado expectativas de que o bloco europeu fique mais fortalecido

SÃO PAULO – Em um cenário de populismo e incerteza em alta, uma aliança entre a França e a Alemanha para fortalecer o euro e a União Europeia pode parecer improvável, mas o repórter do site MarketWatch Matthew Lynn enxerga isso acontecendo nos próximos meses. As duas maiores economias da Europa Continental passam por eleições neste ano e seus novos líderes podem ser pessoas mais centristas.

Na França, Emmanuel Macron tem crescido nas pesquisas, enquanto na Alemanha, o líder social-democrata Martin Schulz tem chances de substituir a chanceler Angela Merkel. Uma aliança Schulz-Macron poderia dar fôlego ao euro, criando um momento positivo para união fiscal, monetária e econômica na região. Mesmo que não funcione no logo prazo, no curto prazo isso pode trazer um alívio para os mercados do continente.

O script inicial para 2017 era mais complicado, com os holandeses prestes a eleger o populista Geert Wilders, enquanto na França a líder nacionalista Marine Le Pen conta com uma plataforma para recriar o franco. Na Itália, o movimento Cinco Estrelas se aproxima do poder e, mesmo na Alemanha, políticos anti-euro têm ganhado força. E o mercado tem sentido isso na pele, marcando um recuo da moeda europeia em relação ao dólar e elevando o spread dos títulos na Itália e na França. No entanto, isso pode acabar não se tornando realidade, com um cenário alternativo se formando.

França
Com o republicano François Fillon em meio a um profundo escândalo de corrupção com vastas somas pagas à sua esposa com dinheiro estatal, o centrista Emmanuel Macron em se mostrado cada vez mais forte em um cenário de segundo-turno. A regra no país é simples: quem encarar Le Pen na segunda rodada deve ganhar, uma vez que 60% do eleitorado nacional a rejeita com força. Macron se torna, assim, uma aposta mais segura a cada semana.

Alemanha
Na maior economia do continente, a situação também é de virada no jogo. A vinda de Martin Schulz de Bruxelas para Berlim tem dado ao partido de centro-esquerda dos sociais democratas um grande impulso nas pesquisas. Nesta semana, uma pesquisa mostra o partido superando a legenda de direita da chanceler Angela Merkel.

Somando com o partido de esquerda e os verdes, Schulz pode conseguir apoio o suficiente para acabar com o longo reinado de Merkel. A própria chanceler pode, inclusive, deixar o poder de lado e passar o comando de seu partido para outro político.

Schulz-Macron
Caso Schulz chegue ao poder, o eixo Berlim-Paris, que é o mais importante da política europeia, teria um viés completamente diferente. Haveria uma boa oportunidade de acelerar a integração econômica e dar ao euro uma chance final de ter sucesso. Tanto Macron quanto Schulz acreditam firmemente na União Europeia e estariam dispostos a abrir mão da soberania nacional para fazer o grupo funcionar.

Merkel também sempre apareceu como grande defensora da UE, mas na prática, suas atitudes não mostram isso com tanta intensidade. A Grécia entrou em um limbo sem fim. A Itália segue na inércia. A França gradualmente se tornou menos competitiva e, enquanto isso, a Alemanha aumentou seu comércio cada vez mais. Movimentos em direção a uma união bancária foram bloqueados e os planos de uma união fiscal acabaram morrendo na praia.

A chanceler alemã permitiu que a economia na Zona do Euro se tornasse uma espécie de zumbi, fazendo o suficiente para evitar a morte, mas sem deixar ela viver de verdade. Macron e Schulz, por sua vez, devem concordar em um ponto. A Zona, como disse o francês em um discurso em Berlim, precisa de mudança radical se quiser prosperar, se tornando uma união econômica totalmente funcional.

Como seria isso? Para começar, haveria uma união bancária, com um único regulador e um mecanismo para falência. Na sequência, mercados de dívida soberanos seriam fechados e títulos comuns da zona do euro seriam emitidos, assegurados por todos os países membros. Haveria um Tesouro da União Europeia com poderes para aumentar taxas e gastar dinheiro pelo continente.

Com o passar do tempo, governos ajudariam a redistribuir riqueza na Zona. Taxas holandesas poderiam ser processadas em Portugal e carros alemães poderiam ser certificados na Sicília, por exemplo. Em pouco tempo, Bruxelas se pareceria muito mais como o governo federal em Washington.

Claro que isso geraria intensa oposição política, com muita gente não gostando das plataformas. Mas em uma potencial aliança com os dois líderes ocupando o governo de seus países, haveria um momento para fazer isso acontecer. Eles podem estar fadados ao fracasso, mas no curto prazo aumentaria a confiança nos mercados locais e animaria o mercado de ações. Há muito risco político na Europa, mas, neste momento, talvez a tendência seja mais positiva do que negativa.

 

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Escrito por
Jornalista econômico vencedor do prêmio Especialistas da revista Negócios da Comunicação no setor Financeiro em 2015. É o editor responsável pelo FinNews. E-mail: leonardo.uller@finnews.com.br

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