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Donald Trump assume nesta sexta; o que esperar do novo presidente dos EUA?

Donald Trump assume nesta sexta; o que esperar do novo presidente dos EUA?
(Shutterstock)

Político assume em meio a cenário de divisão interna e precisará contornar problemas domésticos e internacionais

SÃO PAULO – Contra qualquer expectativa, o republicano Donald Trump foi eleito presidente dos EUA e tomará posse de seu cargo nesta sexta-feira (20). Mesmo sem vitória na quantidade total de votos, o sistema proporcional por estados americanos permite que um candidato com quase três milhões de votos a menos que sua adversária saia do pleito vitorioso. É evidente que essa diferença tão grande e seus posicionamentos polêmicos fazem com que a maior economia do mundo se encontre em um momento de forte cisão interna.

Após a eleição, Trump pouco fez para tentar arrefecer os ânimos e segue mantendo o mesmo estilo de comunicação virulento, atacando democratas, a imprensa, a China e diversos outros desafetos políticos e empresariais em seu meio de comunicação preferido: o Twitter. Com esse caldo político, não é surpresa que sua cerimônia de posse seja marcada pela ausência de celebridades locais e deputados democratas – até o fechamento deste texto, 60 congressistas já confirmavam que não estariam presentes na solenidade.

Em Wall Street, no entanto, o sentimento é diferente. Mesmo que tenham massivamente apoiado Hillary Clinton, os grandes investidores e bancos não podem reclamar da eleição do republicano. Desde o pleito em novembro, os principais índices americanos S&P 500, Dow Jones e Nasdaq passaram por um forte rali que parece dar seus primeiros sinais de arrefecimento apenas agora, mais de dois meses após seu início. É importante ressaltar que uma inúmera quantidade de empresas e índices americanos apresentaram seus valores máximos históricos justamente neste momento de euforia do mercado após a inesperada vitória do republicano.

Mesmo com sua agenda protecionista, o mercado tem motivos de sobra para estar feliz com Trump. Uma de suas principais promessas é cortar a taxação máxima sobre o lucro de companhias americanas de 35% para apenas 20%, o que traria margens de lucro históricas para as empresas. Além disso, desde sua eleição, o político tem se encontrado constantemente com líderes do mercado empresarial mundial para alinhar estratégias e já prometeu se esforçar para reduzir as regulamentações do governo.

Gigantes como a Ford (F.N), Toyota (7203.T) e a Alibaba (BABA.N), por exemplo, já fizeram anúncios de mudanças de suas estratégias de modo a investir mais dinheiro nos EUA e trazer mais empregos ao país – em linha com o discurso industrial e nacionalista do presidente eleito. Empresas que insistem em investir no México ou na Ásia, contrariando os interesses do político, já sofrem com retóricas mais duras dele ou de seus assessores, como é o caso da alemã BMW (BMWG.DE), por exemplo.

No curto prazo, essa política agressiva significa mais empregos e investimentos na economia local, o que, combinado com uma política de dólar mais fraco e maior endividamento do governo para fazer investimentos na infraestrutura local, deve garantir crescimento mais robusto no país, mesmo que com o custo de uma inflação perigosamente mais elevada.

No médio e no longo prazo, no entanto, os investidores precisarão manter os olhos bem abertos tanto em relação à matriz econômica que será adotada por Trump, quanto em relação a seus posicionamentos políticos. Manter o dólar intencionalmente mais desvalorizado, por exemplo, vai contra um histórico de décadas de política contrária no país e seus resultados são incertos. O dólar é deliberadamente mantido em patamar mais forte desde o governo de Bill Clinton, na década de 1990.

No tabuleiro político, por sua vez, a nova aliança entre o Kremlin e a Casa Branca também vai contra tudo aquilo que os EUA fizeram em muito tempo. Na prática, isso pode significar relações mais turbulentas entre a maior economia do mundo e a Europa Ocidental, aliada militar e política histórica do país. Podemos ver, também um enfraquecimento da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e uma Rússia com sua atitude mais expansionista e agressiva em décadas. Do outro lado do Atlântico, o tom é de cautela. Mesmo tendo sua política com refugiados insultada por Trump em recente entrevista, a chanceler alemã Angela Merkel preferiu adotar uma linha de “esperar para ver” o que o novo presidente dos EUA de fato irá quando sentar no Salão Oval.

Caso decida adotar uma relação cambial mais agressiva com a China, os EUA também certamente mudarão a forma como a economia se comporta atualmente. Em um cenário onde ele consiga se sair bem-sucedido em seu mandato, isso pode abrir precedente para novos governantes em países desenvolvidos com plataformas nacionalistas semelhantes. Caso ele frustre as expectativas, provavelmente isso significará uma volta do mundo ao seu status anterior, de mais globalização e abertura econômica – mas isso não acontecerá sem prováveis perdas no mercado de ações americano. Na prática, não há como saber se as premissas adotadas por Trump serão acertadas ou não, mas o mercado americano é taxativo: esse é o maior período de incerteza em relação à Washington em um momento de posse de um novo governante em muito tempo.

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Jornalista econômico vencedor do prêmio Especialistas da revista Negócios da Comunicação no setor Financeiro em 2015. É o editor responsável pelo FinNews. E-mail: leonardo.uller@finnews.com.br

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