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Apostar contra a França agora é o trade mais fácil do mundo; entenda

Apostar contra a França agora é o trade mais fácil do mundo; entenda
(Shutterstock)

Yield dos títulos nacionais franceses já dobrou no primeiro mês do ano, principalmente por conta da confusão política que domina o país pré-eleição

SÃO PAULO – Um dos candidatos encara alegações de que ele pagou vastas somas de dinheiro para sua esposa com dinheiro público. O outro quer introduzir um salário mínimo universal a um custo de 440 bilhões de euros. A terceira quer tirar o país da Zona do Euro e o quarto foi um promissor ministro das finanças que, na prática, não entregou quase nada. Poderiam ser candidatos brasileiros, mas a eleição na França está se tornando um dos pleitos mais imprevisíveis deste ano, chegando a ser comparada com o Brexit e com a eleição de Donald Trump nos EUA e o mercado já sente o cheiro do perigo. O spread entre os títulos do governo da França e da Alemanha dobrou em um espaço de poucas semanas, aponta o colunista do site americano MarketWatch Matthew Lynn.

(MarketWatch)

Com a eleição se aproximando cada vez mais e percebendo que nenhum dos candidatos têm um plano eficiente para reviver a economia francesa, esse spread só deve se elevar cada vez mais. Assim, apostar contra o mercado de títulos franceses, que é o quarto maior do mundo, atrás dos EUA, Japão e Itália, é o trade mais fácil do mundo no momento.

No começo do ano, a eleição que acontecerá em abril e maio parecia bastante previsível. No entanto, este não é mais o caso no momento. O colunista comenta que aposta na vitória do outsider Emmanuel Macron, mas boa parte do mercado acredita que quem deverá levar será o candidato de centro-direita François Fillon após uma batalha no segundo-turno com a candidata da extrema-direita Marine Le Pen.

No entanto, três mudanças fortes aconteceram desde o começo do ano. A primeira é que o Partido Socialista, de esquerda, escolheu o candidato de extrema-esquerda Benoit Hamon contra o centrista Manuel Valls. O postulante conta com uma agenda de renda básica universal bastante agressiva e redução na jornada de trabalho. Na sequência, Fillon começou a ser investigado por conta de vastas somas pagas para sua esposa, com a polícia francesa entrando em seu escritório para buscar evidências. O candidato insiste que não fez nada errado, mas já foi afetado seriamente nas pesquisas e é muito difícil ver como ele pode se apresentar como reformista após estas acusações.

Mais significativamente, Macron emergiu praticamente do nada e vive um bom momento na campanha. O antigo ministro das finanças do país formou seu próprio partido e está fazendo uma campanha de renovação, se aproximando do segundo lugar no primeiro turno. Caso ele faça isso, de acordo com as pesquisas, detonaria Le Pen no segundo turno. Na prática, é muito difícil prever o desfecho do pleito e qualquer um dos candidatos pode acabar levando o Palácio do Eliseu.

Silenciosamente, os mercados começaram a notar a confusão. O yield nos títulos com vencimentos de dez anos do governo francês já dobrou de 0,5% para 1%, com seu spread se elevando dramaticamente em comparação com os títulos alemães. E essa tendência deve se aprofundar ainda mais, acredita o colunista. Dois candidatos seriam catastróficos para a economia, de acordo com Lynn: Le Pen pensa em adotar a mesma linha-dura protecionista de Trump, enquanto Hamon promete gastos totalmente fora da realidade.

Neste ponto, Fillon e Macron seriam mais bem digeridos pelo mercado. No entanto, tudo que a França não precisa é de um presidente que passe seu mandato inteiro acuado por investigações e sem poder, como pode ser o caso de François Fillon. Macron, por sua vez, deve se tornar em breve o queridinho do mercado, mas conta com uma plataforma política extremamente vaga. Quando foi ministro das finanças, ele conseguiu muito pouco e pode ser que ele não tenha ideia do que fazer quando ocupar a presidência.

Vale lembrar que a França perdeu totalmente sua competitividade desde o lançamento do euro, com sua participação nas exportações da Zona do Euro caindo de 17% em 2000 para apenas 13,4% em 2016. O desemprego ainda segue perigosamente alto, sendo um dos mais elevados no mundo desenvolvido, e a nação segue procurando um rumo desde a crise em 2008. Até maio, apostar contra o país no mercado de títulos é o trade mais fácil do mundo, finaliza o especialista, uma vez que o cenário local nunca esteve tão caótico.

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Escrito por
Jornalista econômico vencedor do prêmio Especialistas da revista Negócios da Comunicação no setor Financeiro em 2015. É o editor responsável pelo FinNews. E-mail: leonardo.uller@finnews.com.br

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